sábado, 30 de julho de 2011

Aprendiz

Hoje sei que ideologias não vencem batalhas,
Que fidelidade existe para consigo mesmo,
Que egoísmo na dosagem certa é necessário,
Que não somos sábios, somos condutores duma sabedoria suprema,
Que a amizade consiste em viver as diferenças sem indiferença,
Que a esperança permanece viva enquanto estamos dispostos a viver um novo amanhecer,
Que os inimigos sempre são mais verdadeiros que os falsos companheiros,
Que a hipocrisia está dominando os corações e apagando o sentido do “eu te amo”,
Que não posso viver sem sentir,
sem chorar,
sem gritar,
sem o nascer do sol,
sem justiça,
sem paz
e principalmente sem professar princípios de vida e de fé.

Lucas Santana

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Amável

O compasso do coração
remonta em nós, cenários remotos
pontos de uma circunferência confusa
por onde já passamos várias vezes
nos faz ver quem já esteve com nós
Pessoas que foram presentes em um passado
já amadas, já sentidas
Amamos pouco a pouco nosso amor
amamos por querer amar
amamos por não amar também
parece, pode e é estranho, mas amamos mesmo sem amar
te amo. Já falamos isso várias vezes,
mas poucas delas foram verdadeiras
não sabemos ao certo quando amamos
amamos por momentos
amamos por vozes
por cores e sorrisos,
mas jamais amamos por amar,
pois o amor é amável por si só!

Lucas Santana
16 de fevereiro de 2011.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Alto do Morro Feliz


Desço escorregando em minhas lágrimas
tentando não olhar para trás
e ver a fachada bonita que pintamos no verão passado
já um pouco desbotada, mas ainda feliz
Vai ficando para trás não apenas uma casa bonita
sorrisos vão ficando, abraços, olhares e planos
pareço peça solta dum motor,
não serve pra mais nada
pouco a pouco ela vai ficando pequena
e quase não vejo mais quem a construiu comigo
numa noite de tempestade
o lar mais aconchegante do mundo
lar onde repousei meus sonhos
e cultivei numa horta ao fundo
pés de felicidade que floresciam todo o ano
agora ao longe, não tenho mais deste fruto para comer
alimento-me das lembranças boas
hidratando meu corpo com a rotatividade das lágrimas
... nem poderei fazer uma visita para tomar um café...
e aquele monte vai desmontando-me em montes de saudade
não sei... acho que fui falho,... talvez...
mas não serei feliz sem a vista que tinha
todas as tardes e manhãs lá do alto
ao teu lado.

Lucas Santana
18 de outubro de 2010

domingo, 17 de outubro de 2010

O nojo que chamam amor.

Corpos quentes, almas frias
rasgando aos dentes a utopia
que germinou do teu seio de mãe
convocas ao teu lar minha patente
torta, confusa e demente
por quão não sei cultivar
caimbras torturam dentes
cariados e dormentes
negros pelo sangue velho
que me deu
agora? agora, jamais nao há.
não ei de estar,tao pouco sentir
segue barco a dentro, por entre teu mar
contorna teu ponto, e atraca em tua ilha
onde só você sente amor
onde nao há ninguém além de ti
além do teu ódio e teu medo de ser feliz
frente ao desprezo que planta em mim
e que floresce cada vez que me chama
por meu nome.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Pelistópla

Por onde germina orvalho
do teu sabor de mulher
quem te fez assim?
para olhar-me desconcertante
para olhos tão distantes
como os meus
Tortura!
Injusta são as curvas
que me separam das tuas
perante meu desejo
padecem minhas lembranças
dos lábios teus
Não ei de topar-te em destinos
em fervura se sangue corrente
brandura de pele suave
nem almas latentes
pelo prazer da carne
pecado.

Lucas Santana
21 de agosto de 2010
21:25

Dominadora

Dona Solidão, sedutora como o mar
que nos rouba o tempo a fita-lo
Perco horas com ela
ficamos sós quase sempre
eu calado e ela a olhar-me
Ela se veste, as vezes
espalha roupas pela casa
deixa os pratos sujos
e segura-me na cama até as dez
não apronta o almoço e leva-me
para almoçar no balcão da padaria
Não larga-me por nada.
Segura em minha mão e
joga-me na cama novamente
faz tanto que chego a dormir
estou amarrado a ela
ou ela amarrou-se em mim?
sei lá...
só sei que ela não quer o divórcio
e sempre joga um charme
veste uma renda bordada de silêncio
conquista-me novamente,
tranca a porta
e não me deixa conhecer
o mundo que existe
longe do teu prazer.

Lucas Santana
28 de Agosto de 2010
00:59

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Calvide-me

Tão solene se faz teu canto
ecoando pelas vielas escuras do meu ser
colorindo de paz o sorriso amarelo e sem graça
assim fico vivo.
pouco a pouco...
sem pressa... calma... não vá ainda
ou se vá andando... demora...
então volta...
economiza tua força para resistir a mim
tenta ser mais menos eu
não me veja... ei... ouve?
pena... caiu com o alçar do pássaro
serve para espantar agonias
lá vou... lá vou...
balançando meu corpo como o mar
neste momento em que tento escrever algo que faça algum sentido
mas o que é o sentido? se faço, sinto. É consequência...
palavra que me causa medo... c-o-n-s-e-q-u-e-n-c-i-a

Lucas Santana
18 de outubro de 2010 - 00:22