sexta-feira, 26 de junho de 2009

Um grão.

Corvos cercam me de longe
aguardam,... o cheiro viaja léguas...
meu perfume fúnebre não tardará o aviso
que estou a receber visitas que trazem flores
parece que todos gostam de mim,...
param,...ficam olhando de uma forma tão distante...
as lembranças voltam de uma forma avassaladora
_ O que será que ele está pensando agora?
_Será que realmente se esfriou?
Meu corpo já começa a ser habitado por novos seres
as veias parecem avenidas metropolitanas,...
um engarrafamento de celulas sem combustivel
meus olhos já não brilham,... pareço puro.
Sinto movimentos,... mãe, pai, irmãos, lagrimas,...
nada se diz,... mas ainda estou a ouvir
Xiados,... remos na água,...
são eles... avisam que meu corpo há de partir
devo entregar o que me foi emprestado
para uma estadia um pouco que curta
Não sinto falta porque ele nunca foi meu
tinha apenas o controle de uma porção de terra modelada
e agora sou o vago,...
já não sinto,... nem choro
mas vejo lágrimas,... a terra chora
e esse cheiro ruim é o pecado abandonando o corpo
para que ele volte puro para os braços da minha mãe.
Mãe terra. Mãe minha e mãe tua.


Lucas Santana
26 de junho de 2009
23;22

Um comentário:

  1. ah! perfeito, meu caro!
    sempre imagino a morte desse jeitinho!

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